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20
ago

Conversando com a Gabi eu reparei que eu só falo de one hit wonders do “meu tempo”. Nada mais natural, pois se esses cantores e bandas não significassem nada pra mim, talvez o texto saísse artificial e sem graça. Então vocês vão aguentar mais um deles que deu as caras nos anos 90: Scatman John.

Scatman John também faz parte aquela leva de artistas que sempre estavam nos cds de 7 Melhores da Jovem Pan na década de 90, porém, diferentemente do OMC com suas dancinhas ridículas e um estilo pimp bizarro, John Paul Larkin era um jazzman. Nunca foi um grande nome, porém teve seus anos de profissionalismo nas décadas de 70 e 80 até que teve alguns problemas com drogas e álcool, como todo músico que se preze. Então rolou aquela volta por cima bonita, digna de filme sessão da tarde e ele se mudou pra Berlim, cidade com um tradicional apelo pelo jazz e tocava piano em cruzeiros e boates, até que seu agente teve a “brilhante” idéia de adicionar seus scats (uma espécie de solo vocal, verbalizando sílabas) as batidas dance, techno e hip hop que estavam bombando na náite UHUL fazendo muito sucesso na época.

Aqui cabe um parêntese meu: você aprende a tocar piano, acha que vai ser uma lenda da música e termina seus dias gaguejando (sim, ele era gago) em cima de batidas toscas que lembram Go West do Pet Shop Boys trajando um belo chapéu e um bigode que faz as pessoas te confundirem na rua com o Seu Madruga. Eu teria voltado pro alcoolismo.

Scatman John não só não voltou, como perdeu a gagueira que o acompanhava desde sempre, alcançou o top 10 no Reino Unido, virou um fenômeno mundial, chegando a aparecer inclusive nas latinhas de Coca Cola. Em 1999, já com seu terceiro cd Everybody’s Jam lançado, Scatman John foi vítima de um câncer no pulmão que já o atormentava desde o ano anterior.

Pra finalizar, uma prova cabal de que John de fato havia virado uma mania no mundo todo é um vídeo feito para o single que ele lançou no Japão em 1996: Scatultraman.

Sim, aquele Ultraman.