
Diferentemente de todas as 65 trilhões de pessoas que não conseguem fazer uma resenha sem desvincular Dave Grohl do Nirvana, meu problema é outro: eu não consigo desvincular a imagem de Dave Grohl de um cara gritão (e isso, pelo menos pra mim, é bom). É uma marca registrada, arriscaria dizer que é quase um dom, já que ele consegue transformar o que eventualmente seria apenas barulho em rocks irritantemente redondos de tão bons. Isso deve ter sido fruto demuito treino em casa.

“Me passa… a MANTEIGAAAAAAA”
Talvez seja por isso que eu ainda não consegui digerir muito bem essa nova fase da banda, com violões dedilhados, muitas baladas e até… pianos. Não que eu ache que uma banda deve se manter estagnada cd atrás de cd, simplesmente reciclando suas canções, afinal qualquer trabalho consiste em tentativa e erro num processo que busca algum tipo de evolução, mas no caso do Foo Fighters, isso aponta pra um tendência que pode ser observada nos 3 últimos cds.
O cd começa de maneira sensacional com 3 músicas que mostram a essência do que a banda sempre foi: o single The Pretender, uma porrada no estilo clássico dos Foo Fighters: com a batera moendo e Dave Grohl gritando como se não houvesse amanhã. Let It Die que consegue mesclar o acústico e o elétrico do cd anterior, In Your Honor e Erase/Replace. Daí pra frente, a banda entra numa letargia que te lembra os cds mais chatos do Keane, que nem o single que retoma a tradição dos clipes engraçadinhos, Long Road to Ruin consegue salvar e que só vai ser interrompida do meio pro fim de But Honestly, quando alguém no estúdio deve ter gritado que o mundo estava acabando e que se eles fossem morrer, era bom que fosse com algum tipo de dignidade.
Toda generalização é burra e seria um pecado dizer que sensacional (e tranqüila) Stranger Things Have Happened seja uma chatice como as outras, mas como um todo o cd é bastante fraco. Para os defensores de que essa nova fase seja um passo adiante rumo ao amadurecimento da banda, lembre-se que quase todos os elogios à banda vinham do fato de Dave Grohl e companhia serem 4 molecões, tirando um som e ao que tudo indica gostando de toda essa brincadeira. Só nos resta ter paciência e esperar que os versos de The Pretender voltem a ecoar sempre na cabeça da banda.
Sing as their bones go marching in… again.
Don’t be the pretender, Dave.

3 Comentários Recebidos
January 6th, 2008 @21:29
ah
eu gosto desse cd. eu gosto do fato dos cds do foo fighters serem tão catchy. tão faceis de digerir, voce ouve uma vez e já sabe cantar as músicas..
é um mérito dels. the pretender é fantastica.
tipo, beleza, não é ‘ooooh um graaaaaaaande álbum’, mas é um disquinho pra se divertir por uns 3 meses. logo enjoa…
January 9th, 2008 @13:16
Parece ser decadente este album. Vou conferir.
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