Não que uma coisa esteja relacionada a outra, mas a miséria está para o cinema brasileiro assim como o Tim Allen está para os filmes de cachorro: você já cansou de ver, sabe que vai ser ruim e no entanto eles continuam fazendo mais e mais filmes achando que aquilo é legal. Talvez por isso Apenas o Fim salte aos olhos como revelação durante as Mostras de Cinema do Rio e de São Paulo, mas exaltar o filme de Matheus Souza só porque todo o panorama atual é uma mesmice seria idiotice.
O filme conta a história de dois jovens prestes a se separarem. A garota diz que vai embora de repente e eles só tem uma hora pra passar juntos. O rapaz tenta entender essa decisão e ao longo do filme eles vão explorando quase tudo até aquele momento e ao mesmo tempo relembram aquela história de amor que tem data e hora pra acabar.
Parece simples? E é! Por isso é tão bom.

Além do roteiro inspirado, uma das melhores coisas do filme é atuação de Gregório Duvivier que faz o nerd espirituoso que usa óculos do avô que todos nós, nerds que usamos óculos do avô gostaríamos de ser.
No fundo, no fundo, a grande sacada do filme é apostar numa coisa que aparentemente o cinema anda se esquecendo: o arroz com feijão de uma história sem firulas e a identificação entre o enredo e o público.
Apenas o fim, com o perdão do clichê é a prova de que a máxima “uma câmera na mão e uma várias idéias na cabeça” ainda pode dar muito certo.
E isso é muito bom.

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