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8
jun

Quem nunca ouviu uma música nos últimos tempos qualquer música onde parece que o cantor saiu pra tomar café no meio da gravação e continuaram gravando a coisa toda, só que com um robô fanho no lugar dele?

Desde Believe, da Cher no meio dos anos 90 passando por por Prince, Madonna ou Norah Jones até chegar em 98% do hip-hop boiola que a gente ouve por aí na MTV e nas rádios mais mequetrefes do mundo – sendo seus principais expoentes Kanye West e T-Pain.

Essa desgraça tem nome: chama Auto-Tune e foi descoberta de maneira bizarra: Andy Hildebrand, um engenheiro que trabalhou na análise de dados sísmicos para a indústria do petróleo. Ele enviava ondas sonoras para o fundo da Terra e gravava seus reflexos para mapear potenciais poços de petróleo. Em 96, fazendo cálculos parecidos, ele criou o Auto-Tune, um aplicativo que funcionava tão bem para captar desafinos quanto a técnica anterior para achar petróleo.
(Fonte: Época. Matéria, muito bacana do Rodrigo Turrer, vale a pena ver)

O que era pra ser uma ferramenta pra ajudar os caboclos a corrigirem pequenas imperfeições numa gravação, foi se tornando um recurso cada vez mais utilizado, de maneira que acabou deixando o povo preguiçoso, uma que que os músicos chegam, gravam e depois o produtor que se vire pra meter um efeito em cima do take horroroso que foi gravado.

O mais legal é quando alguma coisa eventualmente dá errado e o sujeito fica com cara de pastel como o Kanye West numa apresentação no SNL.

Enquanto produtores, músicos e as pessoas que pagam pra ser enganadas (vamos fingir que todo mundo aqui compra cd, ok?) discutem se o uso do Auto-Tune é ou não é válido, ético, bonzinho ou afetuoso, o pessoal mais espírito de porco – o melhor tipo de pessoal – já usou da criatividade pra tirar um sarro dessa modinha.

Existem versões pra todos os gostos. Um povo que “tuna” o noticiário e põe Obama, Hillary Clinton e vários apresentadores da tv americana soltarem a voz. Ou o produtor Spoof chegou a gravar um Ode ao Auto Tune que contem o belo verso:

Then someone showed me this plug-in
So you can’t hear the notes i miss
So i don’t need no vocalist
And now i got an instant hit

Mas pra mim a mais sensacional continua sendo o famoso discurso que contém o “I Have a Dream” de Martin Luther King.

Martin Luther Kings’ I Have a Dream – Autotuned – watch more funny videos

Para o bem ou para o mal, aparentemente o Auto-Tune está aí pra ficar. Pelo menos até que inventem alguma outra coisa igualmente irritante e polêmica pra que o pessoal possa tirar um sarrinho.



2 Comentários para “A Maldição do Auto-Tune”


  1. CARACA!!!! Muito boa a “música” do Dr. King! O novo hit do inverno! \m/


  2. [...] O uso abusivo do Auto Tune pelos artistas pop, para corrigir suas vozes desafinadas, sempre foi uma comédia é comédia na internet. A bola da vez é Kanye West: [UPDATE] Vale a pena ler esse texto: A Maldição do Auto-Tune [...]

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